sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ARRAIAL D'AJUDA

A ESQUINA DO MUNDO



Caminho do Mar à noite: cafés, bares e restaurantes para todos os gostos

ESQUINA DO MUNDO



Caminho do Mar de dia: o agito está na praia

BRÓDUEI


A Bróduei é a rua de entrada ao Arraial da Ajuda. Liga a praça Eduardo Gomes, onde ficam os terminais dos ônibus e das lotações, à praça São Brás, também conhecida como a praça do Artesanato. Até o fim da década de 90 era o centro gastronômico e boêmio do Arraial, que aos poucos foi se mudando para o Caminho do Mar. Na rua ainda restam um restaurante e um bar. Os demais deram lugar a lojas de souvenirs.


Esta foto é de 1987, quando a Bróduei estava no seu auge. Era o point onde todos se encontravam, do café da manhã à última cerveja da madrugada, com o dia começando a clarear.

À esquerda, o legendário Chez Lampião, onde havia boa comida, boa música, boa companhia.


terça-feira, 27 de novembro de 2007

LAMBADA

Conhecida como Zouk nas Antilhas Francesas (Dominique, Martinique), a Lambada entou no Brasil pelo Maranhão e teve no Jatobar, em Ajuda, um de seus mais importantes templos. Nos anos 80 a eletricidade no bar subia a milhares de volts, madrugada afora. Maroto, o proprietário, era o dançarino-mor.

O Jatobar é atualmente uma Escola de Lambada.

CASAS BAIANAS




sexta-feira, 23 de novembro de 2007

QUEM QUER COMPRAR?

Em setembro de 2006, dona Teresinha me contou que havia posto à venda a área onde mora e tinha pousada, situada num ponto valioso do Arraial. Já não tem mais idade para varar em claro as noites de sexta e sábado por causa da música ao vivo e da zoeira dos bares próximos. Há 20 anos passei uma temporada na pousada, a Mangaba (na foto, já desativada, em outubro de 2007), e a decisão daquela senhora me levou a escrever um artigo, reproduzido no post abaixo, para um site de ecologia sobre as mudanças (para pior) causadas pela especulação imobiliária, a ganância e a insensibilidade dos empresários, com a conivência do Poder Público. O artigo, publicado no dia 16/4/2007, continua atual, mesmo que com a valorização do real diante do dólar e do euro a ânsia dos investidores estrangeiros por comprar imóveis a preços de banana tenha refreado.
Até o início de novembro não havia aparecido comprador para a propridade de dona Teresinha...

DONA TERESINHA

Final da tarde de sexta-feira. Dona Teresinha anda com seus passinhos rápidos com uma sacola na mão. Vai passar o fim de semana - mais um - na casa de uma filha, num dos bairros novos, habitados pelos nativos desalojados pelos paulistas, cariocas, gaúchos, mineiros e estrangeiros que compraram, a maioria dos imóveis da área central do Arraial da Ajuda.
Assim como quase todos os outros moradores antigos, ela pôs à venda a sua casa e a pousada simples e confortável, com um enorme pátio gramado, ensombreado por mangueiras e cajueiros, localizada no Caminho do Mar, passagem de quem se dirige às praias. Vai viver a quilômetros dalí, junto de seus filhos, netos, parentes e amigos. Não agüenta mais a barulheira do vizinho Beco das Cores, onde a moçada se diverte em bares e restaurantes com música ao vivo ou eletrônica até o amanhecer. O Arraial ficou muito barulhento e sofisticado para ela.
Ano após ano, o paraíso descoberto nos anos 70 e 80 por jovens de cabeça feita, em busca de um lugar lindo e tranqïilo para viver, se descaracteriza. A mata vai sendo substituída por construções, e as casas e pousadas avançam até limites inimagináveis para quem conheceu aquele lugar maravilhoso há duas ou três décadas. Empreendedores brasileiros, argentinos e agora europeus derrubam até os coqueirais que embelezam a faixa entre a falésia e o mar para construir condomínios fechados, residências de luxo e pousadas. Telhados substituem as copas das árvores. Os muros isolam a praia e tornam propriedade particular o que antes era de todos, sem qualquer controle. Enquanto as fontes de água potável se exaurem, aumenta a ameaça da contaminação do lençol freático. Nada detém os especuladores com seus dólares, euros e reais. Nos cafés, nos bares, nas ruas, em vez dos papos de viagens, de descobertas, de encontros e desencontros, cochichos sobre os melhores investimentos, os bons negócios.
O som do berimbau é cada vez mais raro. Os outrora orgulhosos nativos que enfeitavam as noites com os malabarismos da capoeira, agora ficam olhando, de longe, os turistas que lotam os bares e restaurantes, e o movimento dos carros que congestionam as ruelas. Na Bróduei, onde antes se concentrava a vida noturna do lugarejo, só o bar Geraes resiste, com música de primeira e cerveja gelada. A Lagoa Azul é apenas o nome da barraca à beira-mar, construída antes da drenagem do riacho que caía em forma de cascata. Na praia da Pitinga, uma baía de rara beleza, cada vez mais casas construídas no alto da falésia podem ser vistas da beira do mar.
Mas apesar dos malucos beleza fazerem parte do passado e o som do martelo seja mais ouvido que o da lambada, o Arraial da Ajuda é um dos mais fascinantes lugares do litoral brasileiro. Ainda há tempo de salvá-lo, e boa parte dos moradores já se deu conta disso.
Publicado no dia 16/4/2007 pelo site do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul
www.ecoagencia.com.br

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

LOST NO ARRAIAL


Eles chegam e, por uma razão ou outra, decidem ficar para sempre neste paraíso chamado Arraial d'Ajuda
Alguns conseguem trabalho, outros vivem de bicos, são artesãos ou têm rendas (mas nunca pergunte de onde vem o dinheiro...). Com os anos, eles se tornam parte da paisagem. Não dão importância para jornais e as notícias da TV são de um país distante da sua realidade. Tudo o que querem é curtir a vida numa boa. Suas roupas geralmente são exóticas. Cabeludos e barbudos, lembram os velhos hippies. Quem chega da "civilização" tem a impressão de estar diante de personagens da série Lost.

PERSONAGENS




MESTRE DA LAMBADA

João Lambadeiro, com Laís

LAVADEIRAS

Estrada entre o Arraial e Trancoso, 1984

Estrada entre o Arraial e Trancoso, 1995

A DOMICÍLIO

FLORES E FRUTAS

LEITE DO TAMBO

EQUILIBRISTAS




MONKEY X MOUSE

Em 2007, uma criança pataxó se diverte numa lan house

Em 1989, um hippie com seu mico de estimação. Quem está espiando atrás, de óculos escuros, é meu cunhado Guili, argentino que morou por muitos anos no Arraial, falecido em 1998.

IGREJA DE N.S. D'AJUDA


As igrejas e as primeiras casas dos povoados da Costa do Descobrimento - Santa Cruz de Cabrália, Porto Seguro, Ajuda, Trancoso - foram construídos em elevações, para facilitar a sua defesa. Até o século 18, os índios pataxós eram temidos pelos portugueses, que os classificavam entre os mais hostis do Brasil. A igreja do Arraial da Ajuda, concluída em 1549, ganhou este nome em homenagem a uma das naus, a Ajuda, em que Tomé de Souza chegou à região. A santa passou a ganhar devotos em todo o Sul da Bahia, e graças à festa em homenagem a ela, em agosto, o Arraial se tornou conhecido e descobriu a sua vocação turística.



terça-feira, 20 de novembro de 2007

AVE MARIA


Todos os dias, às seis horas da tarde, um alto-falante instalado junto à torre da igreja joga nos ares a
Ave-Maria de Gounod. É um momento de paz, na passagem do dia para a noite - no nordeste não há horário de verão.
Foto da igreja de N.S. da Ajuda restaurada, em outubro de 2007

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

SOL, MAR, COQUEIRAL


Antes de partir, uma
pose no belo cenário
atrás da igreja do
Arraial da Ajuda, no final
dos anos 80.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

AS FALÉSIAS E O MAR


A natureza exuberante, o clima ameno, as praias belíssimas e a hospitalidade dos descendentes de pataxós que habitam a região atraíram inicialmente os hippies e mais tarde outros brasileiros e estrangeiros em busca de um refúgio para passar alguns dias ou o resto de suas vidas. Na última década, o Arraial da Ajuda, vilarejo quatro quilômetros ao sul de Porto Seguro, na Bahia, separado da sede do município pelo rio Buranhém, se sofisticou. Passou a ser conhecido como "A Esquina do Mundo", pela presença de estrangeiros, especialmente argentinos e europeus. A gastronomia local oferece cardápios que vão da cozinha tradicional portuguesa às carnes argentinas, comida mineira, japonesa, italiana e, claro, baiana, com preços a partir de modestos seis reais. A qualquer hora do dia ou da noite há restaurantes, bares e cafés abertos, como em qualquer grande cidade. Há pousadas requintadas e modestas, para qualquer orçamento. Quem curte a noite tem discotecas e bares com música ao vivo e eletrônica, decorados com criatividade.
Conheci o Arraial da Ajuda em 1984, e desde então tenho voltado todos os anos, sempre na baixa temporada (de março a dezembro...), para passar duas ou três semanas desligado dos meus problemas e os do mundo. O lugar mudou bastante - as principais ruas estão calçadas e limpas, já não se ouve tanta música , os hippies são raros - mas a magia permanece, assim como as praias lindas, a natureza, a hospitalidade do povo. Se o paraíso existe, deve ser parecido com o Arraial.
Na foto acima , a praia da Pitinga. Não conheço nada mais lindo.