segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ESQUIANDO NAS NUVENS



No topo da Look Out Mountain. Ao fundo, os picos das montanhas rochosas canadenses.

NEVE NO VALE DO SOL

Sunny Valley, estação de esqui localizada perto de Banff, na província de Alberta, montanhas rochosas canadenses. Devido à altitude, aqui nunca falta neve de boa qualidade para esquiar.

UMA TARDE EM TREMBLANT

Para contrastar com o branco da neve, as roupas e as casas são coloridas em Mont Tremblant. Moradores de Montreal e outras cidades da região compram ou alugam apartamentos para passar nesta estação de esqui suas férias de inverno.

CALOR NO FRIO

Que tal um banho nesta piscina térmica ao ar livre com água a 28 graus, cercada de neve por todos os lados?

SUAVE SUBIDA

Teleféricos tornam a subida da montanha um belo passeio, com vista panorâmica

Um chocolate quente ou café com leite na cafeteria aquecem o corpo antes da descida.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A NEVE DE CADA DIA


Retirar a neve que obstrui as ruas e se acumula nos telhados faz parte da rotina dos moradores de Tremblant

BONJOUR, MONT TREMBLANT!

Amanhecer em Mont Tremblant, ao norte de Montreal, província de Quebec. É uma das mais charmosas estações de esqui do Canadá.

ABAIXO DE ZERO


Estação de esqui do Parque Nacional de Banff, nas montanhas rochosas canadenses

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

GUILI NA ESQUINA DO MUNDO

1989: meu cunhado e amigo Guili (de calção vermelho) e eu na Bróduei, em Arraial da Ajuda, Bahia.

Foto de Laís Lobato Heberle. Clique duas vezes para ampliar


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

GUILI, O VELHO LOBO DO MAR



Barraca de Guili em Santa Cruz de Cabrália, Bahia.
Julho de 1993.




Na barraca de praia que arrendou por algum tempo em Santa Cruz de Cabrália, sul da Bahia, Guili gostava de subir até a varanda na parte de cima, quando não havia movimento, e fazer de conta que aquela era a proa de seu navio, e ele era um velho Lobo do Mar. Uma ou mais doses de Licor de Jurubeba e algumas baforadas da boa maconha nordestina embalavam o seu devaneio. 
A viagem deste marujo começou em Buenos Aires, onde nasceu, e terminou em 16 de setembro de 1998, quando faleceu na praia do Campeche, em Florianópolis, aos 50 anos.
 Oscar Alberto Duarte, o Guili, não suportava o frio portenho. A cada inverno, entre taças de vinho Borgoña e bifes de chorizo, dividia com seus amigos o sonho de partir para sempre em busca do sol, das praias de águas tépidas, das morenas do Brasil. 
Em 1986, depois de uma temporada em Búzios, encontrou o seu paraíso tropical em Arraial da Ajuda, na época um lugarejo freqüentado por hippies brasileiros e estrangeiros que buscavam um refúgio tranqüilo junto à natureza, onde, como diziam, "todos os dias são domingos e todas as noites, sábados."
 Extrovertido, irreverente, raciocínio ágil e com enorme facilidade para se aproximar das pessoas, Guili rapidamente se tornou uma figura popular. Para os nativos era o gringo, companheiro sempre disposto a uma cerveja gelada e um bate-papo. 




O "consulado" de Guili, na Alameda dos Flamboyants, era também o atelier de Isabel. Nesta foto de 1990, da direita para a esquerda: Isabel, Guili, Nelson, Vaci e Lais







Na colônia argentina do Arraial da Ajuda era conhecido como "el consul". Sua casa era um vaivém de conterrâneos em busca de alguma informação, conselho, companhia. Lá também tinha boa comida - Guili era um excelente cozinheiro - pinga da terra e muito som. Insaciavelmente curioso, sabia das últimas novidades musicais e estava sempre bem informado sobre os rumos da política nacional, argentina e mundial, apesar de viver numa época e num lugar onde jornais eram raros e a TV ficava limitada à Globo.
Depois de trabalhar por 10 anos como garçom, barman, cozinheiro e barraqueiro  no Arraial da Ajuda e em Santa Cruz de Cabrália, Guili se mudou para a praia do Campeche, em Florianópolis, onde morava Isabel Orsini Lobato,  sua ex-mulher, e o filho pequeno  Rodrigo,  que adorava.
Durante os dois útimos verões trabalhou como garçom num restaurante à beira da praia. Estava feliz, no seu habitat. Na baixa temporada fazia trabalhos temporários.
 Com a saúde comprometida por tantos anos de excessos, morreu dormindo, de parada cardíaca. Foi velado pelos parentes, amigos, pescadores, pedreiros e os parceiros de prosas dos fins de tarde no Bar do Pescador.



Em seu túmulo junto ao mar, no cemitério da igrejinha de
São Sebastião, em Campeche, a inscrição: 
Oscar Alberto Duarte
gringo Guili
*28.2.1948   + 16.9.1998
Viejo Lobo del Mar
Com carinho da familia


Praia do Campeche, em Florianópolis, com a ilha do Campeche ao fundo. Neste belo cenário Guili trabalhou como garçom no verão de 1998.






domingo, 3 de fevereiro de 2008

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS - 1994



Estive nos Emirados Árabes Unidos em abril de 1994, muito antes daquela confederação de pequenos e riquíssimos Estados se tornar um dos mais charmosos programas turísticos do mundo, com vôos diretos da Air Emirates de São Paulo a Dubai. Naquela época ainda não se falava em construir uma ilha artificial para lá erigir um mega-hotel de sete estrelas, único no mundo, nem uma pista de esqui com temperatura ambiente de 10 graus abaixo de zero, quando lá fora chega aos 40 positivos. Mas os sheiks que administram os Emirados já planejavam tornar o país uma meca do turismo de luxo e um poderoso entreposto comercial , usando os recursos da exportação de petróleo. A aposta tem se revelado correta: Abu Dabi, Dubai e os outros cinco emirados estão se tornando cada vez menos dependentes da sua única riqueza natural, já em vias de se extinguir.
Minha viagem foi a convite da Lufthansa, que anteviu nos emirados uma excelente oportunidade de multiplicar seu volume de transporte de passageiros e de cargas entre a Europa, o Oriente Médio, o norte da África e a Ásia. Isenta do pagamento de impostos e taxas (como qualquer empreendimento que se instale no território) e livre de qualquer controle aduaneiro, a companhia aérea alemã estabeleceu no emirado de Sharjah uma base para o transbordo de mercadorias destinadas aos países da região. Além dos benefícios fiscais, ganhou uma base operacional a poucas horas de vôo de importantes países da Ásia como o Paquistão e a Índia, do Sudeste asiático, do nordeste da África e do Oriente Médio.
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clique sobre o mapa para ampliá-lo






SETE POR UM


Abu Dabi, Dubai, Sharjah, Ras al Khaimah, Fujairah, Umm al Qaiwain e Ajman eram protetorados britânicos até 1971. Independentes, formaram uma federação em que cada emirado tem uma relativa autonomia, mas todas as decisões na área da economia e das relações exteriores são tomadas por um conselho formado pelos emires. Abu Dabi, com 87% do território e a maior parte das reservas de petróleo, tem direito à presidência do conselho e a ser a capital do país. Dubai, obcecada pelo futuro, cérebro da federação, é hoje a maior e a mais moderna cidade de toda a região. Os outros cinco emirados são pouco mais do que cidades-estados cercadas de deserto.



A maioria dos quase quatro milhões de habitantes do país são estrangeiros - indianos, afegãos, paquistaneses, palestinos, filipinos, iranianos e iraquianos formam um mosaico de feições, trajes e línguas. Todos são trabalhadores em busca de oportunidades e boa remuneração. O tempo de permanência depende do contrato de trabalho, que vale como um visto. Terminado o contrato, eles voltam para seus países, com Dirhams, a moeda local, suficientes para iniciar uma nova vida.
Regidos pelo islã, os emirados usam o Alcorão como código civil e penal. Bebidas alcoólicas são proibidas, ladrões têm as mãos amputadas, as mulheres devem cobrir o corpo com burkas. Contudo, cada membro da federação adota as leis de Maomé com maior ou menor rigidez. Dubai é o mais flexível, Sharjah o mais rígido. Hotéis internacionais podem servir bebidas alcoólicas, e seus bares são pontos de encontro dos estrangeiros ávidos por uma cervejinha gelada.
Este post é o relato de uma semana num país em que os restaurantes só oferecem bebidas sem álcool, as mulheres ocultam seus corpos e a criminalidade é insignificante. Um país que, graças ao petróleo, não tem imposto de renda. Um país em que tudo é novo, moderno e amplo, pois há espaço de sobra - é só avançar sobre as areias do deserto. 






VIAGEM ÀS MONTANHAS

A auto-estrada para a região montanhosa dos Emirados Árabes, no Golfo de Oman, tem pistas perfeitas e bem sinalizadas. Aqui é o fim do deserto e o início das montanhas, que os Emirados dividem com o Sultanato de Oman.

Este vilarejo do emirado de Fujairah, nos montes Hajar, está bem longe da opulência proporcionada pela exploração de petróleo. A maioria da população vive da agricultura e da pecuária.




REFÚGIOS DE VERÃO



Milionários dos emirados passam parte do verão, quando o calor nas cidades se torna insuportável , nas suas mansões das montanhas, onde devido à altitude a temperatura se mantém amena

terça-feira, 29 de janeiro de 2008


WHADI

No inverno, entre dezembro e março, chuvas fortes transformam estes leitos secos em riachos caudalosos. São as whadis, águas que descem das montanhas e acabam engolidas pelas areias do deserto. 


SINAIS DE VIDA NO DESERTO







Pequenas árvores aparecem na paisagem, contrastando com o cinza das formações rochosas.



As dunas de areia ficaram para trás. Tufos de vegetação sobrevivem num solo avermelhado 



PISCINAS NATURAIS NAS MONTANHAS





Para quem vive em cidades cercadas pelas areias do deserto da Arábia, onde toda a água é dessalinizada ou engarrafada, estas piscinas entre as rochas das montanhas Hajar, a 120 quilômetros de Dubai, são objeto de fascínio. Estão entre os lugares mais procurados pelos visitantes dos países da região e também pelos "locais".



SAFÁRI NO DESERTO



Conhecer o deserto é um dos mais solicitados passeios de quem visita os Emirados Árabes. Em vez de camelos, embarcamos numa Toyota Hilux com tração nas quatro rodas e ar refrigerado. Mesmo assim, a excitação do nosso grupo de jornalistas e dos turistas franceses que seguiram em outro veículo era enorme. 
O motorista parou num posto da estrada para tirar ar dos pneus. Explicou que isto era necessário para não atolar na areia. Poucosquilômetros depois saímos do asfalto e seguimos por uma trilha na areia. Um tropeiro de camelos nos chamou a atenção. Pedimos para parar e tiramos fotos - e esta foi a primeira de tantas outras paradas.
Saímos da trilha e , à beira do pânico, passamos a subir e descer dunas enormes. O motorista sorria e pisava fundo no acelerador. A emoção fazia parte do programa. Duas horas depois , já no fim datarde, chegamos a um lugar onde havia duas tendas. Um árabe de pele escura ajudou os motoristas das caminhonetes a descarregar as caixas de comida e bebidas - até latas da proibida cerveja. Ele colocou a carne, de carneiro e de frango, numa churrasqueira portátil e acendeu o carvão.
Os motoristas, também guias turísticos, perguntaram se alguém queria fazer um passeio de camelo, a dez dólares por pessoa. Todos topamos. Um beduíno, que só falava árabe, nos ajudou a subir nos camelos e os puxou pelas rédeas por 100 metros, o suficiente para sentir a sensação de andar lá em cima, equilibrados sobre a corcova.
Depois do jantar (carne assada, batata, tomate), noite escura, saí a caminhar pela areia. Em poucos minutos as vozes foram sumindo. Caminhei até o silêncio e a escuridão do deserto me envolverem completamente. 








" I LIKE THE DESERT BECAUSE IT'S CLEAN"

(Lawrence da Arábia)


SEM BURCA

Esta tenda, no lobby de um hotel de Dubai, não é apenas parte da decoração. Hotéis, bares e restaurantes têm tendas ou biombos para a privacidade dos casais ou famílias. Só em seu interior, cortinas fechadas, as mulheres tiram as burcas ou os véus que escondem o rosto. 









A sexta-feira para os muçulmanos é como o domingo nos países cristãos.


Desde o nascer do sol, os alto-falantes dos minaretes das mesquitas lançam apelos aos muçulmanos para rezar. Há pelo menos um templo em cada bairro, e alguns deles - como este, de Dubai - parecem palácios.

MUROS ALTOS

As mansões dos milionários são protegidas por altos muros. Mas a principal função deles não é a proteção contra ladrões mas contra a areia do deserto.



CHEIROS, PERFUMES, CORES




Um passeio a pé pelo mercado de Dubai permite um contato com a vida real do emirado. Vale a pena ver o colorido e sentir o cheiro dos temperos, cereais, legumes e verduras trazidos de países do Oriente Médio e da Ásia.


SOL DE PRIMAVERA


O cedro ganhou um monumento nesta praça do emirado de Sharjah. 


As árvores são raras, os gramados um luxo regado a água reciclada do sistema de esgotos das cidades. E o sol em abril, plena primavera, eleva a temperatura a 33 graus, tornando as suas sombras especialmente convidativas.




ÀS COMPRAS!

Não faltam shoppings luxuosos, bonitos e enormes nos Emirados. O país não cobra taxas de importação, o que o torna um imenso free-shop.


Consumidoras russas, numerosas e facilmente identificáveis pelas roupas de gosto duvidoso, chegam a um shopping de Sharjah. A União Soviética havia se dissolvido dois anos e meio antes, em dezembro de 1991, e a população estava ávida por produtos ocidentais. As russas chegavam em aviões fretados da Aeroflot, faziam compras e voltavam no dia seguinte.



















As leis do islã permitem ao homem ter tantas mulheres quantas possa sustentar. Todos os presentes dados a uma esposa devem ser dados também à(s) outra(s). As jóias são os presentes mais comuns, mesmo que só os familiares possam ver os braceletes, anéis, colares e brincos, ocultados sob as roupas. Além disso, o ouro, assim como camelos e cabras, é moeda de compra de uma esposa. Por isso, há muitas - e movimentadas - joalherias nos shoppings dos Emirados.












AO MAR!
Neste estaleiro improvisado, embarcações fabricadas com técnicas transmitidas de geração em geração desde os antigos fenícios, mestres no comércio e na navegação.



Barcos partem de Dubai para os emirados vizinhos e para países do Golfo Pérsico como o Irã e o Iraque. Os maiores se aventuram pelo Golfo de Oman para chegar ao Paquistão e à Índia.