sábado, 29 de novembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

SÃO JOSÉ DO NORTE/RS/BRASIL



Você é meu convidado para um passeio visual até São José do Norte, cidade localizada na margem norte do canal de acesso ao único porto de mar do Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil, o de Rio Grande. Com tempo bom, é uma viagem de quase uma hora de barco pela Lagoa dos Patos.



Os barcos de passageiros saem do porto velho, situado no centro de Rio Grande, junto ao Mercado Público. Como não há ponte entre as duas cidades, os barcos são a única opção dos moradores.

SÃO JOSÉ DO NORTE

"Princesa do Mar", um dos barcos que faz a travessia.


Vista do centro da cidade de Rio Grande, a mais antiga do Rio Grande do Sul.

SÃO JOSÉ DO NORTE

Caminhões e carros são transportados em balsas.


Pela Lagoa dos Patos é possível navegar de Rio Grande até Porto Alegre e admirar paisagens deslumbrantes. Até a década de 1950, havia linhas regulares de barcos de passageiros entre as duas cidades. Depois do asfaltamento da BR 116 até a fronteira com o Uruguai, viajar de ônibus de Porto Alegre a Pelotas e Rio Grande se tornou muito mais rápido, e a hidrovia passou a ser usada apenas para o transporte de cargas.
É uma lástima não haver uma linha de barcos modernos, de alta velocidade, como existe no Rio da Prata entre Buenos Aires, Colônia de Sacramento e Montevidéu (os buquebus) saindo de Porto Alegre com escalas nas principais cidades situadas nas margens do Guaíba e da Lagoa dos Patos - Guaíba, Barra do Ribeiro, Tapes, São Lourenço, Pelotas, São José do Norte e Rio Grande.

SÃO JOSÉ DO NORTE


Estamos chegando a São José do Norte. As torres da Igreja de São José se destacam na paisagem da cidade.

SÃO JOSÉ DO NORTE

BEM VINDOS,
BIENVENIDOS, WELCOME
a SÃO JOSÉ DO NORTE


Momentos de alegria e emoção na chegada da barca

SÃO JOSÉ DO NORTE

A antiga vila de pescadores mantém a sua característica histórica. Lá os barcos pesqueiros de pequeno porte contam com um refúgio seguro .

SÃO JOSÉ DO NORTE



Situada na ponta de uma faixa de areia espremida entre o mar e a Lagoa dos Patos, São José do Norte, fundada em 1811, ainda não tem uma estrada asfaltada que a ligue ao Litoral Norte do Rio Grande do Sul e ao resto do país. Um trecho da estrada, paralela à costa, ainda é de areia, e se torna intransitável quando chove. Não é por menos que foi denominada, há décadas, de Estrada do Inferno.
Mas o isolamento tem seu lado bom. A cidade é charmosa e bem cuidada, seus 18 mil habitantes levam uma vida sossegada, e se for preciso ir à vizinha Rio Grande é só pegar a próxima barca.

SÃO JOSÉ DO NORTE


A imponente igreja de São José, em estilo colonial com barroco. Sua construção foi iniciada em 1832 e concluída em 1860..

SÃO JOSÉ DO NORTE


A pesca na Lagoa dos Patos e no sul do Oceano Atlântico e a agricultura, com grandes plantações de cebola, são as principais atividades econômicas do município.

SÃO JOSÉ DO NORTE

O azul do céu combina com o verde da água da Lagoa dos Patos, prateada pelo sol. Ao longe, Rio Grande.
Só esta cena já vale o passeio.






quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A PRAÇA É DOS CAVALOS

Será que existe outra cidade de um milhão e meio de habitantes onde os cavalos pastam tranqüilamente na praça?
Esta fica no bairro Cavalhada (!), em Porto Alegre.


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

JUSTIÇA PARA FILIPE DA ESPANHA


Peça aos seus amigos uma lista dos dez reis e imperadores mais importantes da história. Dificilmente algum deles citará Filipe II, apesar de ter sido, por quase meio século - entre 1543 e 1598 - protagonista fundamental na turbulenta passagem da Idade Média para o Renascimento europeu, à frente de um reino que ia das Filipinas a praticamente toda a América, com possessões na Índia, na África e na Oceania. Na Europa, além da península Ibérica, Filipe era rei da atual Bélgica e de grande parte da Itália (Nápoles, Milão, Sicília e Sardenha).
Por ter colocado seus exércitos e a prata e o ouro extraídos das minas do México, do Peru e da Bolívia na defesa do catolicismo frente aos protestantes, foi muito criticado e até mesmo difamado pelos historiadores europeus, durante seu reinado e ao longo dos séculos após a sua morte. Por detestar bajuladores, nunca permitiu que alguém escrevesse sua biografia. Assim, deixou o caminho totalmente livre para os detratores, ligados ou influenciados pelos anglicanos, luteranos e calvinistas a quem combateu.
O norte-americano J.L. Motley traçou, em 1855, o clássico retrato depreciativo de Felipe II. Descreveu-o como medíocre, pedante, reservado, desconfiado, intolerante, profundamente cruel, um tirano consumado. Alguns historiadores espanhóis compartilhavam dessa opinião. Em 1948, Gregorio Marañon tentou tratá-lo com menos parcialidade, mas mesmo assim o qualificou como desconfiado, fraco, indeciso e cúmplice de assassinato.
Filipe da Espanha (Philip of Spain, no original) , do historiador britânico Henry Kamen (editora Record, 544 páginas) , não nega os aspectos negativos do monarca, mas, finalmente, traz à tona um quadro completo da sua personalidade e atuação política e administrativa no contexto de uma Europa conflagrada por guerras religiosas e ainda ameaçada por invasões árabes. Foi também um século de rápidas mudanças políticas e sociais e de deslumbramento com os territórios recém descobertos e com as novas rotas comerciais com o novo mundo.
A pesquisa de Kamen, integrante da Sociedade Real de História da Inlaterra, professor em universidades inglesas e norte-americanas, foi financiada pelo Conselho Superior para a Pesquisa Científica, de Madri, pelo governo da Catalunha e ela Academia de Ciências Austríaca. O livro é baseado em documentos oficiais, cartas e relatórios de personagens direta ou indiretamente envolvidos com a corte espanhola. Metodicamente, Kamen situa o leitor no contexto do século XVI e dá a indispensável dimensão humana dos personagens. O livro é ilustrado com um mapas, ilustrações e uma utilíssima árvore genealógica da ascendência e descendência de Filipe.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

JUSTIÇA PARA FILIPE II DA ESPANHA


Em 1544, Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, cansado de tantas rebeliões na Alemanha, nos Países Baixos e em Castela, além das constantes ameaças árabes nas suas fronteiras, decidiu se recolher a um convento na Espanha. Dividiu seu território em duas partes, deixando ao filho Filipe, então com 17 anos, a Espanha, a atual Bélgica, Nápoles, Milão, a Sicília e a Sardenha, além das Filipinas e dos territórios conquistados por seus avós Felipe e Isabel, os reis católicos, na América.
Filipe, nascido na Espanha, havia sido cuidadosamente preparado para assumir o posto, e em seus primeiros atos deixou claro que mudaria a forma de governar. Criou conselhos para auxiliá-lo a administrar cada território e decidiu edificar em Madri a sede do governo - seu pai passara quase toda a vida entre a Alemanha e os Países Baixos, dedicando pouca atenção à Espanha, que nem ao menos tinha uma capital. Impôs seu estilo de trabalho: mandava bilhetes aos auxiliares dado ordens e cobrando seu cumprimento. Avesso a manifestações emotivas, era de poucas palavras, mas tratava a todos com cortesia. Tinha um ritmo de trabalho intenso, marcado pelo método e o cumprimento de horários, e exigia o mesmo de seus auxiliares.
Apaixonado por arquitetura, desenhava e acompanhava cada detalhe da construção ou reforma de seus palácios e casas de descanso. Além do Escorial, um misto de residência, convento, igreja e mausoléu para a família real, mandou construir ou reformar outros onze palácios, onde costumava passar algumas semanas por ano.
Enquanto príncipe, havia circulado pelo império do pai, e tomara gosto pela pintura, a música, a literatura e a arquitetura da Europa do norte. Trouxe para a Espanha Ticiano e outros conceituados pintores belgas e italianos, e músicos e atores. Num país onde pouco se lia e nenhum livro era impresso, reservou uma ala do palácio do Escorial para a biblioteca, que, com quatro mil volumes, se tornou maior do que a do Vaticano. A biblioteca era aberta para consultas, com excessão dos livros ensurados pela Inquisição.
Católico praticante, impôs à corte regras de comportamento e sempre preservou a família, tratando com respeito e carinho suas esposas e filhos. Casou quatro vezes: a primeira vez, aos 17 anos, com Maria de Portugal, que morreu dois anos depois. Foi casado também com Maria Tudor, da Inglaterra, com a francesa Isabel de Valois e, por último, com a prima austríaca Ana de Habsburgo, com quem teve o herdeiro no trono, Filipe IV. Todas morreram em conseqüência de doenças, e depois de Ana não voltou a casar.
Os casamentos políticos entre nobres, uma prática usual naquela época, foram responsáveis, assim como os descobrimentos e ocupações de territórios na América, África, Ásia e Oceania, pela expansão do império espanhol. Basta olhar a árvore genealógica da família de Felipe. Carlos V, seu pai, era filho de Felipe, o Belo, um Habsburgo que governava os países Baixos, e boa parte da Itália, e ao casar com Joana (conhecida como a Louca), filha dos reis espanhóis Fernando e Isabel, passou a ser também rei da Espanha. Isabel, a mãe de Filipe, era portuguesa, assim como sua primeira mulher, o que deu-lhe o direito de reivindicar o trono português depois da morte de Dom Sebastião, morto na batalha de Alcácer-Quibir, no norte da África, sem deixar descendentes.
Reinar sobre tão vasto território, 20 vezes maior que o império romano em seu auge, não sinificava, porém, controle absoluto sobre ele. Pelo contrário. A própria Espanha era um conglomerado de territórios com administração e até leis próprias. Os Países Baixos nunca se submeteram à imposição da fé católica, e a sua rebeldia obrigou o rei a manter uma numerosa (e onerosa) tropa de ocupação. Não havia dados confiáveis sobre a população e a produção econômica e nem mesmo mapas precisos das colônias americanas, africanas e asiáticas.
Típica da era medieval, esta limitação explica a submissão de Filipe II aos interesses da igreja católica. Os documentos obtidos pelo historiador Henry Kamen indicam que o rei tolerava a crueldade da Inquisição, gastava fortunas e sacrificava milhares de vidas para combater os hereges pela necessidade de contar com o apoio da igreja no enfrentamento e nas negociações com os nobres e os vice-reis que governavam as áreas sob a sua responsabilidade.
Este apoio, no entanto, teve como conseqüência a impopularidade de Filipe, tanto na Espanha, empobrecida pelos custos das guerras contra os belgas, os turcos, os franceses e, já no fim do do reinado, os ingleses, quanto na Europa, onde era visto como intransigente e truculento contra os protestantes.
O livro de Kamen é uma fascinante aula de história sobre Filipe, a Espanha, a Europa e o mundo do século dezesseis.