sábado, 29 de agosto de 2009

TAKE ONE

Campeche, Florianópolis, Brasil.

video

Sou fascinado pelo cinema. Sempre sonhei em participar da produção de um filme, de um documentário. Uma das fases mais gratificantes da minha vida profissional foi quando editei um programa semanal de reportagens apresentado aos domingos à noite pela RBSTV de Porto Alegre em 1981.

Agora, com a facilidade das novas tecnologias, começo a satisfazer a minha vontade de mexer com imagens em movimento e sons. Esta sequência é a primeira de uma série de experimentos que pretendo fazer neste blog.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A PRAIA DOS FERLAUTO








José Otávio e Maria Lúcia pregavam e praticavam um estilo de vida despojado, de ter o necessário e dispensar o supérfluo. Faziam pão de farinha integral na casa onde moravam, na rua São Luís, em Porto Alegre, e a comida que alimentava a família e os amigos era feita de vegetais e cereais limpos de venenos, comprados na Cooperativa Coolméia e da feira dos agricultores ecologistas, que o casal frequentava aos sábados.
A casa estava sempre de portas abertas. Era só tocar a campanhia (na porta da frente) ou o sino (no portão do muro lateral) e ir entrando. De tempos em tempos JO enviava pelo Correio convites para festas, em textos criativos e ilustrados, com a recomendação de que o convidado levasse algo para comer ou beber. Nunca faltava comida nem bebida, mesmo que o festerê só acabasse alta madrugada.
Vivia intensamente. Era um ser humano solar, a distribuir afeto e luz a quem teve a felicidade de conviver com ele.
JO não usava cartão de crédito nem talão de cheques. Tentou me ensinar a fazer pão, cultivar bonsais. Tentou me convencer das vantagens de usar dinheiro e fugir das armadilhas do crédito fácil.
José Otávio e Maria Lúcia tinham um sonho: morar na ilha de Santa Catarina. Compraram um terreno e construíram uma casa na praia do Campeche. Os filhos, já crescidos, migraram antes deles e, um a um, se acomodaram no casarão.
Quando os pais tomaram a decisão de também eles se mudar para o Campeche, JO levava na bagagem os exames em que aparecia um tumor no fígado, inexplicavelmente não detectado pelos médicos. Daí para a frente foram dias de paz, sossego e uma relação totalmente amorosa dos Ferlauto, reunidos novamente. As cartas de JO para um agora pequeno grupo de amigos falavam dessa nova fase da vida dele, mas, aos poucos, revelavam que já não lhe restava muito tempo de vida.
Li num relance a carta de despedida, escrita poucos dias antes sua morte, no dia 24 de agosto de 2007. Estava sereno e consciente da partida para uma nova etapa. Dois anos já se passaram, mas ainda não retirei as cartas da caixa de "recuerdos" para relê-las. Por enquanto, prefiro andar pela praia do Campeche e imaginar que a qualquer hora ele pode aparecer entre as dunas, abraçado à sua amada, para mais uma caminhada matinal.



domingo, 16 de agosto de 2009

ESSAS MENINAS DO TEMPO...

Praia do Imbé, meio dia de domingo, 16/8 Na sexta-feira ao meio dia a menina do tempo anunciou: o domingo vai ter temperaturas de verão no Rio Grande do Sul. "Vai dar até para tomar banho de mar", previu, com aquele ar inocente que só as meninas do tempo têm.
Não tive dúvidas: enfiei o calção de banho - com um moleton por cima, claro, porque o vento nordeste estava de arrepiar - e lá fui eu, neste belo domingo, até a praia, no Imbé.

Pelo jeito, só eu acreditei na menina do tempo. A praia estava deserta, com as exceções de sempre nos meses de outono, inverno e primavera: uma garota brincava com seu cachorro, um pescador tentava tirar o almoço do mar (sem sucesso, até aquela hora) e casais caminhavam pela areia. Dentro da água?Ninguém. Coloquei o pé na água e tirei rápido.
Voltei para casa feliz pela caminhada, pelo dia de sol, pela temperatura agradável, entre 19 e 20 graus. O domingo ainda me reservava um almoço ao ar livre junto à lagoa de Tramandaí e um entardecer magnífico.
Moral da história, meninas do tempo e repórteres de tevê: de junho a dezembro é muito raro alguém se arriscar nas águas geladas do Atlântico Sul. Só com a chegada da corrente marítima do Brasil, em meados de janeiro, a temperatura da água sobe a ponto de se tornar agradável para o banho. Enquanto isso, o litoral gaúcho tem a oferecer ar puro, dias ensolarados, tranquilidade. Estresse zero.
Banhos de mar, só no nordeste.



PUBLICITÁRIOS...


Pela foto acima, Surya (Cleo Pires) e Maya (Juliana Paes), da novela Caminho das Índias, se reconciliaram, largaram os marrridos e se deleitam numa cena lesbian chic numa piscina do Rajaquistão, certo?
Errado. É um anúncio de duas páginas de uma coleção de sapatos femininos, publicado na Elle
Imagino a cena. Numa reunião da equipe de criação da agência de publicidade, a tarefa era bolar um anúncio para sapatos. Depois de muita discussão, incontáveis cigarros e cafezinhos, a idéia genial apareceu: duas mulheres se beijando. As belíssimas e arquiinimigas Maya e Surya da novela das oito.
Genial!
E os sapatos, são bonitos?
Sapatos? Que sapatos???????

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

MORRO DE SÃO PAULO

Como qualquer cidade grande do país, Salvador tem problemas de segurança e de poluição, além dos incômodos vendedores de bugigangas da área central, especialmente o Mercado Modelo e a igreja do Bom Fim, para quem é um desaforo um turista - especialmente um gringo, mesmo que ele seja gaúcho, catarinense ou paranaense - não comprar ao menos uma fitinha. Mas a capital baiana tem seus encantos, e é ponto de partida para algumas praias excelentes para descansar e se esbaldar no sol e no mar. Frio? Nem pensar...
Ao Norte, há a Praia do Forte (64 km) e os resorts da chamada Costa dos Coqueiros, até a divisa com Sergipe. Ao Sul, a apenas 60 quilômetros, o Morro de São Paulo, na ilha de Tinharé. De segunda a sexta-feira, o Morro de São Paulo é uma tranquilidade só. Uma vila muito procurada por turistas estrangeiros e brasileiros extasiados pela beleza de suas praias. Nos fins de semana chega a galera de Salvador e tudo muda: festas, pousadas cheias, luaus.



Chegamos! Aí está o Morro de São Paulo.

Lá no alto, um farol construído em 1855 orienta os barcos que entram na baía de Todos os Santos


O pórtico (ao fundo) foi construído para receber o imperador Dom Pedro II, em 1859


Jegues e tratores são usados para o transporte de cargas pela ilha.


Primeira praia, a mais frequentada por ficar mais próxima da vila. Depois vem a segunda, a terceira, a quarta, a quinta. É só continuar caminhando.



MORRO DE SÃO PAULO







Catamarãs que partem do mercado modelo, em Salvador, levam apenas duas horas para chegar ao Morro de São Paulo. Quem tiver mais tempo - e vontade de dar uma espiada em cidades do interior baiano como Cruz das Almas - pode tomar um ônibus de linha e contornar a baía de Todos os Santos até Valença. De lá partem barcos de todos os tipos, numa viagem de uma hora e meia costeando manguezais.