sábado, 27 de fevereiro de 2010

A SOMÁLIA NÃO É AQUI




Se esta fosse a costa da Somália, os navios petroleiros que aguardam a vez de descarregar no terminal de Tramandaí, no sul do Brasil, seriam presas fáceis para os piratas. Nesta semana havia nove navios na fila.
Mas, voltando aos piratas: na semana passada a Rede Globo mostrou uma boa reportagem do Pedro Bassin, correspondente em Lisboa, sobre a heróica ação de um navio de guerra português apoiado por helicópteros contra um barquinho com motor de popa tripulado por quatro perigosos piratas armados de espingardinhas na costa somali. Só o vento das hélices do helicópteros bastou para que eles jogassem as armas ao mar e levantassem os braços em rendição.
No final da reportagem, uma informação surpreendente: os resultados dos resgates são distribuídos entre a população que se esconde nas falésias junto às praias.
Se tivesse ido um pouco mais longe, Bassin poderia ter dito que, além da miséria e do caos provocados por uma interminável guerra civil iniciada há mais de dez anos, a pirataria é consequência da pilhagem dos outrora fartos cardumes nos mares somalianos por pesqueiros japoneses, europeus e de países vizinhos. Os peixes eram a principal fonte de alimentação dos somalis, que agora recorrem à pirataria para sobreviver.



sábado, 20 de fevereiro de 2010

MARAMBAIA, UM RESTAURANTE DE SONHOS


O cardápio é coisa fina: camarão à baiana, trutas com alcaparras, salmão ao molho de espinafre, filé grelhado à argentina. Saladas verdes, legumes, massas, polenta incrementada com brócolis e o velho e bom feijão com arroz. Tudo alí, no bufê, ao alcance das mãos - e dos bolsos. Na entrada, uma barrica com cachacinha de brinde para abrir o apetite. Um balcão de sobremesas e térmicas de café completam a festa gastronômica do restaurante Marambaia, no Imbé, que está completando treze verões. O Marambaia é fruto dos sonhos de Elisabeth e Nelson Herédia. Veranistas históricos da praia e colegas de trabalho na extinta Companhia Riograndense de Telecomunicações, Beth e Nelson entraram no Programa de Demissões Voluntárias quando a estatal foi privatizada. Com o dinheiro na mão, fizeram o mesmo que centenas de colegas: tentar transformar o capital numa atividade rentável, mesmo sem terem experiência na "iniciativa privada".
Se deram bem. O restaurante se tornou um sucesso. Temporada após temporada - só funciona em janeiro e fevereiro, sete dias por semana, para o almoço - está sempre lotado. O casal , que passou a morar em Canela (outro sonho) se dá ao luxo de trabalhar apenas estes dois meses do ano. Os outros dez meses são dedicados a pesquisar, frequentar (e, as vezes, ministrar) cursos de culinária e, claro, curtir as coisas boas da vida. Como sempre acontece, o início foi difícil. Funcionários da área administrativa (ele) e de informática (ela), Beth e Nelson aprenderam os segredos da nova profissão observando os erros e acertos dos restaurantes por onde passavam. Compraram um terreno na avenida Garibaldi, a meio caminho entre a avenida Paraguassu e o mar, construíram o prédio com critérios técnicos e estéticos definidos, e estabeleceram normas de qualidade rígidas desde a compra dos produtos apenas de fornecedores conceituados até o atendimento dos clientes, tratados sempre com cortesia e eficiência. Para que o restaurante fosse bem sucedido, foi fundamental a paixão de Beth pela culinária. Neta de franceses e descendente de poloneses, ela confessa que sempre gostou de cozinhar. Na CRT, onde trabalhava no turno da noite, dobrava o salário fornecendo almoços e lanches para os colegas que trabalhavam de dia. Depois de abrir o restaurante, passou um ano estudando no Senac. Aprendeu não só os segredos da culinária como as normas de funcionamento de um restaurante de qualidade. Os resultados são visíveis na cozinha. A limpeza é absoluta, a organização perfeita. Nestes treze últimos verões, a rotina de Beth é sempre a mesma: abrir as portas do restaurante às seis horas, tomar as providências para que, ao meio dia, o bufê esteja pronto, e, até a saída do último cliente, estar atenta a todos os detalhes do atendimento. "Ser 'chef de cuisine' não é apenas ficar lá entre as panelas. As pessoas devem ser bem atendidas, para voltar e nos recomendar". O treinamento dos funcionários, recrutados nas escolas da cidade, chega a detalhes como a entrega do troco, na hora do pagamento. "Orientamos nosso pessoal a nunca colocar o troco em cima do balcão, e sim na mão do cliente", diz Nelson. São pequenos detalhes que tornaram o Marambaia um dos melhores restaurantes do Litoral. 




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

RESTAURANTE DE SONHOS

Casa cheia, uma rotina de todos os verões






A decoração, hobby de Beth e Nelson, tem o mesmo refinamento da culinária. Das cores aos objetos que ornam as paredes, com temática náutica, tudo foi cuidadosamente escolhido pelo casal.











sábado, 13 de fevereiro de 2010

O OUTRO LADO DO IMBÉ



No verão, passeios de barco que partem de hora em hora do cais junto à ponte de Tramandaí permitem aos veranistas - e muitos moradores - descortinar uma paisagem que durante o resto do ano é privilégio de poucos. No roteiro de uma hora pelo rio Tramandaí é possível ver, de um lado, as mansões de Imbé, cada vez mais numerosas, e de outro as ilhas, as lagoas e, ao fundo, as montanhas.







O OUTRO LADO







O OUTRO LADO







O OUTRO LADO







segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

HORÓSCOPO, ASTROLOGIA, JORNALISMO

Me convenci de que horóscopo é um amontoado de bobagens depois que, numa redação de um jornal onde trabalhei, uma leitora nos alertou de que a astróloga, responsável pelos presságios diários nos principais jornais do país, repetia, ano após ano, os mesmíssimos textos. Em outro jornal, um revisor foi transformado em "astrólogo", ganhou um pseudônimo exótico e, estimulado por um pequeno reajuste salarial, dedicava os momentos vagos para exercitar sua criatividade prevendo o que aconteceria naquele dia aos nativos de todos os signos do zodíaco.
A astrologia, no entanto, é interessante e útil. Um mapa astral feito por um astrólogo competente é um valioso instrumento de autoconhecimento. E a prática me ensinou que os repórteres rendem mais se recebem pautas adequadas aos seus signos.
Se o chefe de reportagem mandar um nativo de Aquário para o local de um acidente com mortos ou uma canceriana a um lar para crianças excepcionais abandonadas, o risco de fracasso é muito grande. Provavelmente o aquariano passará mal ao ver os corpos ensanguentados e a canceriana voltará chorando para a redação, arrasada com as cenas que viu. Um taurino não se perturbaria. Traria todos os dados, mas dificilmente escreveria uma reportagem emocionante.
Na RBSTV havia uma libriana não arredava o pé da redação antes de saber exatamente qual o enfoque da reportagem e como seria executada. E havia o contrário: um geminiano que na tela da televisão parecia ter uma autoconfiança de dar inveja a Orson Wells ligava inúmeras vezes para a chefia durante a execução da matéria perguntando para que lado conduzí-la. Até finalizar a edição ele estava sempre angustiado por dúvidas e mais dúvidas.
Os virginianos, obcecados pela perfeição, geralmente são bons editores. Páginas revisadas por eles costumam ser impecáveis. Na época em que era responsável pela revisão e atualização da edição de domingo de Zero Hora, aos sábados, eu sempre buscava o apoio de um deles para revisar os primeiros jornais saídos da rotativa e corrigir erros o mais rápido possível, especialmente na capa e na contracapa. Numa dessas manhãs, o silêncio foi rompido por um grito:
- Tem erro na capa!
E que erro: gaúchão, assim, com acento agudo no u, numa das principais chamadas. O editor-chefe não tirou o acento quando trocou "campeonato gaúcho" por "gauchão".
O erro passou despercebido pelo diretor da redação, pelos demais editores que viram a página, pelo revisor e por mim. Mas não pelo virginiano Leandro Steiw.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VOAR É COM OS... HOMENS







VOAR É COM OS... HOMENS











VOAR É COM OS... HOMENS





Rampa para vôos de asa delta no Morro da Borússia, em Osório, Rio Grande do Sul.
Ao longe, as praias de Tramandaí e Imbé.