terça-feira, 21 de junho de 2011

BAIXA TEMPORADA


Numa noite de inverno, há alguns anos, encontrei num bar do Arraial da Ajuda, Bahia, um grupo de nativos. Bebiam conhaque com mel (para aquecer) e reclamavam da "baixa": frio, poucos turistas, trabalho e dinheiro escassos. Soou estranho a quem escolhe os meses de menos calor e preços mais baixos para ir em férias para o nordeste.
Agora, atravessando mais um inverno no nordeste gaúcho, entendo melhor o que sentem aqueles que moram nas praias semi-desertas do sul do país na baixa temporada. São oito meses de solidão, vento, frio e chuva. Pedreiros, eletricistas, pequenos comerciantes e outros trabalhadores que durante o verão trabalham sem descanso para atender a tantos clientes são obrigados a fazer malabarismos para sobreviver. Bares, lojas e outros estabelecimentos comerciais fecham. É preciso ter cabeça fria e um orçamento rígido para não sossobrar antes da chegada do verão seguinte. É a baixa.
Jornais, rádios e tevês, que na alta temporada instalam sucursais nas principais cidades, só voltam caso ocorra algum assassinato ou acidente que mereça destaque.  O alcoolismo e as drogas rondam as famílias.
Como disse uma moradora: "aqui na praia, no inverno, todo mundo toma calmante."   

terça-feira, 7 de junho de 2011

OLYR ZAVASCHI (1941-2011)


Olyr Zavaschi tinha uma qualidade rara em seres humanos e raríssima em jornalistas: nunca se queixava, não colocava nos outros ou no "sistema" a culpa por seus eventuais percalços.
E mais: apesar de sua cultura, competência e dedicação, que o levaram a ocupar os cargos mais importantes do jornal Zero Hora, onde trabalhou por 40 anos, era imune aos pecados da vaidade e da arrogância, tão comuns em qualquer redação.
A afabilidade, o bom humor  e o respeito com que tratava a todos eram uma marca de sua personalidade, destacada com impressionante unanimidade pelos que, como eu, tiveram o privilégio de serem seus amigos e colegas, e agora lamentam a sua morte, aos 69 anos, vítima de câncer no pâncreas. 
A imagem que guardo do Olyr é a da foto acima, baixada do site de Zero Hora.  O sorriso é o mesmo da última vez que o encontrei, acompanhado da mulher, a psiquiatra Lucrécia Zavaschi,  e um grupo de familiares, no restaurante Marambaia, na praia do Imbé, no verão de 2010.
A expressão de um homem tranquilo,  feliz e realizado. Um homem de bem, da paz.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

MEDITAÇÃO

MANHÃ, TÃO BONITA MANHÃ