segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ARRAIAL D'AJUDA, BAHIA






Chamar de "Centro Histórico" a área onde, em 1517, começou a povoação do distrito de Porto Seguro, localizado, convenientemente, no alto de uma falésia, para facilitar a proteção dos colonizadores portugueses, faz todo o sentido. As casas, grudadas umas às outras, estão aí há pelo menos 100 anos. Quase todas estão bem conservadas. Servem de moradia para famílias tradicionais ou são lojas, pousadas, bares, sorveterias e restaurantes. 

domingo, 28 de agosto de 2011

ÁGUA DOCE, ÁGUA DO MAR

Mergulhar na águas doces e limpas do riacho Pitinga ou no mar, um raríssimo privilégio.
A praia fica a três quilômetros do Arraial d'Ajuda e a dez do Trancoso, na Bahia.

PARAPENTES NA PITINGA

Sobrevoar por 20 minutos a Pitinga, entre as falésias e o mar, é uma das opções de quem tem o privilégio de passar um dia de sábado ou domingo nesta que é uma das mais belas praias do litoral brasileiro. Mas quem não pode pagar pelo vôo, na carona de um piloto, se diverte igual. Há sol, mar e agua limpa do riacho para todos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

SE A MODA PEGA...

Os jornais quase sempre se dizem imparciais, independentes, e muitas vezes declaram seus princípios éticos na capa. Este, de Porto Seguro, Bahia, não tem esta preocupação.
Apesar do título dúbio,  o Topa Tudo é um jornal razoável, com algumas reportagens e sem muitos erros de gramática. A manchete tem uma importância enorme para a comunidade: registra a criação da Promotoria Regional Ambiental,  dedicada a conter as ações de criminosos que, ano após ano, têm devastado as matas e a área litorânea do sul da Bahia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A BALSA DO BURANHÉM


É impossível atravessar o rio Buranhém sem se emocionar.
Os moradores que volta e meia pegam a balsa para ir de um lado a outro não conseguem ficar indiferentes à bela paisagem entre a praia do Apaga Fogo (foto acima), no Arraial d'Ajuda, e o centro de Porto Seguro (foto abaixo).
Para o recém-chegado, ver a foz do rio com suas ilhas, o mar verde-azulado e o coqueiral de Ajuda é um sinal de boas vindas e a promessa de dias de paz e felicidade.

Para quem parte, embarcar na balsa  sempre dá um aperto no peito, e uma enorme vontade de ficar - ou de voltar o mais breve possível.


O rio Buranhém nasce na Pedra do Cachorro,  Serra dos Aimorés, Minas Gerais. Percorre 20 km em Minas e 128 km na Bahia até sua foz, num estuário com 12 km de extensão formado por ilhas de manguezais.. Foi na foz do Buranhém, protegida por uma barreira de rochas de coral, que Pedro Álvares Cabral atracou  com a sua frota em abril de 1500.





terça-feira, 23 de agosto de 2011

CORRECAMINOS, ANO QUATRO


Há quatro anos descobri que era fácil e grátis começar um blog.
O primeiro post foi escrito sob o forte impacto da morte de meu amigo/irmão José Otávio (Dedé) da Rosa Ferlauto, ocorrida dias antes, em 24 de agosto de 2007. Ao saber que ele estava muito doente, fui a Florianópolis para vê-lo, mas cheguei tarde. 
Pude, no entanto, velar o seu corpo na capela da igrejinha do Campeche, junto com a sua querida Usha, os filhos, familares e poucos amigos do coração.
O texto, que republico abaixo, não é um lamento, e sim a recordação de um de tantos dias que tive a felicidade de passar em sua companhia.
 Vale a pena ler de novo.



MEU AMIGO DEDÉ FERLAUTO

Numa dessas noites de verão, na cozinha da casa dos Ferlauto na rua São Luís, entre uma e outra fatia de pão integral quentinho (feito pelo Dedé) com queijo e suco de uva, decidimos passar o domingo no sítio de Barbosa Lessa, no interior de Camaquã. Lessa era um dos inúmeros frutos cultivados na fértil lavoura da amizade do Dedé. A cada sábado ele a regava na feira ecológica da José Bonifácio, em longos papos com o poeta, folclorista e então produtor de erva-mate e travesseiros aromáticos, que ali vendia os seus produtos e encontrava os amigos.
Partimos bem cedinho, pois a viagem seria longa. O dia, de sol sem nuvens, estava perfeito. Cheguei antes das oito horas, e a Usha, o Dedé e a nossa amiga Ana Zilles já estavam me esperando. Colocamos no porta-malas macarrão, molho de tomate (preparado pelas gurias), água mineral e um bom vinho tinto chileno para ajudar no cardápio do almoço.
Até Camaquã, o único incidente da viagem foi uma tentativa de estrangulamento: Ana, sentada ao meu lado, começou a sufocar, apertada pelo cinto de segurança. Olhei para trás mal consegui conter o riso: com cara de sádico a la Jack Nicholson, Dedé puxava o cinto, enquanto Ana, quase sem ar, tentava concluir uma frase. Gargalhamos todos. O papo estava sério demais para uma bela manhã de domingo na estrada, e ele o encerrou à sua maneira.
Lessa havia dado todas as informações para chegarmos até o sítio. Depois de Camaquã a estrada de terra não tinha nenhuma sinalização, e volta e meia parávamos para perguntar onde estávamos. Conseguimos identificar a porteira do sítio e seguimos por uma estradinha estreita onde mal cabia um carro - depois ficamos sabendo que aquele caminho já não era usado há meses.
Algumas descidas e subidas eram tão íngremes que tememos não conseguir passar. Em alguns trechos, os galhos das árvores roçavam as laterais do carro. Mas o Fiat Mille (e o seu experiente motorista) superaram todos os obstáculos, e finalmente chegamos à casa de madeira, construída no alto de um pequeno vale. Da varanda se vê um riacho, que rola pelas pedras e forma um pequeno lago depois de despencar em cachoeira. Aquele sítio comprado por Barbosa Lessa depois de sua aposentadoria era a realização do sonho de voltar a viver na sua terra natal sem precisar parar de pesquisar, de ler, de criar e de se comunicar com seus amigos residentes na capital.
O casal morava no meio de uma área de mata nativa, onde cultivava e processava artesanalmente erva-mate e colhia plantas aromáticas na mata virgem para a fabricação de travesseiros. Aos sábados viajava até Porto Alegre num jipe Lada Niva para vender o seus produtos e encontrar os amigos. Perto da casa principal, Barbosa Lessa tinha o seu “escritório” - uma casinha de madeira cheia de livros, com uma janela voltada para o vale, onde podia ler e escrever sossegado, desfrutando de uma paisagem belíssima.
Os abraços e beijos dos nossos anfitriões foram interrompidos por gritos guturais vindos da mata. Rindo, o poeta explicou: são os bugios dando boas-vindas a vocês... Naquela mata virgem viviam bugios ainda em estado selvagem, que se alvorotavam ao ouvirem sons diferentes dos que estavam acostumados.
Quando entrávamos na casa com os alimentos, Nilza, a mulher de Barbosa Lessa, nos deteve, dizendo: “Tudo bem com o macarrão e o vinho, mas aqui não há necessidade de água mineral engarrafada”. Em seguida nos levou até uma fonte de onde jorrava água para uma bica, saída da terra, fresquinha, sem qualquer impureza. Uma bebida rara.
Máquina fotográfica na mão, desci por um caminho entre as árvores até a beira do riacho para fazer fotos da cascata. Estava com pouca água, depois de três meses de estiagem, mas mesmo assim impressionava. Lá em cima, piscinas entre as pedras. Embaixo, as águas límpidas escorriam entre as árvores, toda esta beleza no quintal de casa. Dedé chegou apoiado num cajado, como se tivesse peregrinado léguas e léguas para chegar até ali. Se agachou e bebeu a água da sanga com as mãos em concha.
O almoço foi um banquete. Degustamos com vagar, quase em silêncio, o feijão com arroz, carne de panela e legumes preparados no fogão a lenha pela Nilza. De vez em quando Dedé exclamava “hummmmm, hummmmmm”, o melhor elogio que conseguia fazer quando gostava muito da comida. Bebemos o excelente vinho chileno, mas fiquei encantado mesmo pela água da fonte. Passei o dia bebendo. Tomei um porre daquela água.
Depois do almoço passeamos pelo sítio, envolvidos pelo carinho do Lessa e da Nilza. Foram horas de felicidade, paz e harmonia naquele pequeno paraíso.
Na minha memória, ficaram imagens de um Dedé despreocupado, risonho, moleque, dedicado ao que mais gostava na vida: dar e receber afeto.


* José Otávio da Rosa Ferlauto faleceu no dia 24 de agosto de 2007, aos 56 nos, de câncer no fígado, na praia do Campeche, em Florianópolis, onde morava havia dois anos


domingo, 21 de agosto de 2011

DE VOLTA PARA O PASSADO

 Arraial d'Ajuda, agosto/2011

O telefone público é mais um direito que o brasileiro está perdendo. 
Os orelhões que param de funcionar  não são consertados nem substituídos pelas "teles", estas entidades que se adonaram da telefonia brasileira e reinam absolutas, sem nenhum controle.
As empresas alegam que a manutenção dos orelhões é cara e o retorno financeiro pequeno.  Para mascarar o seu descaramento, argumentam que com a popularização dos celulares não há mais necessidade de telefones públicos. Esquecem, de propósito, o ponto de vista do consumidor: sai muitíssimo mais barato falar de um orelhão, num país em que as tarifas estão entre as mais altas do mundo. E não há Anatel nem qualquer órgão público para defender o direito do povo a uma comunicação acessível, alternativa ao celular.  
Aliás, se a Veja, a Folha ou outro jornal ou revista quiserem entrar a fundo no assunto, está aí uma sugestão. Certamente renderá manchetes e, talvez, demissões.
No Arraial d'Ajuda, distrito de Porto Seguro, Bahia, resta apenas UM telefone público, mas em péssimas condições. Para usá-lo é preciso habilidade e sorte. O jeito é ir a um posto telefônico, como era até a década de 1980,  quando as cabines da Telebahia eram a única forma de comunicação telefônica com o lugar.  As telefonistas anotavam os recados e deixavam num mural. Passar lá para lê-los fazia parte da rotina diária dos moradores e turistas.
Depois vieram os orelhões, os celulares e a telefonia foi privatizada.
Agora, estamos de volta ao passado.


sábado, 20 de agosto de 2011

I LOVE CATS


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

QUE BELO DIA




UM GOLPE NA DITADURA FISCAL?

A ditadura fiscal, que sangra principalmente os pobres, remediados e demais assalariados mesmo depois de velhos e aposentados desde os tempos do Delfim Neto ("vamos esperar o bolo crescer para depois dividir", lembram?), pode sofrer o primeiro golpe caso seja aprovado um projeto da senadora Ana Amélia, que passou ontem pela primeira comissão do Senado.
Vamos torcer, rezar e pressionar para que se torne realidade, e não apenas mais uma miragem, como tem acontecido nestas últimas décadas:

Do portal Terra:
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou na quarta-feira proposta que prevê a isenção do pagamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por aposentados e pensionistas com mais de 60 anos.
O projeto segue agora para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e, caso aprovado, vai para a Câmara dos Deputados. Depois o projeto fica aguardando apenas a decisão da presidente Dilma Rousseff.
De autoria da senadora Ana Amélia (PP-RS), o projeto quer minimizar a perda monetária dos aposentados e pensionistas, de acordo com informações da Agência Senado. O relator do projeto, o senador João Vicente Claudino (PTB-PI), diz em seu parecer que está convicto da validade e relevância dessas mudanças na legislação do IRPF.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

PARADISÍACO!!!

Chamar um lugar bonito de paradisíaco virou chavão, especialmente nos cadernos de turismo. No caso do Arraial d' Ajuda, sul da Bahia, o adjetivo vale, com todas as letras. Melhor ainda: para chegar a este paraíso não é preciso morrer, e nem custa caro.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O DIA DA SANTA

Hoje, 15 de agosto, é dia de Nossa Senhora d'Ajuda. Romeiros de todo sul da Bahia acorrem ao Arraial da Ajuda, em Porto Seguro, agitando o vilarejo como se fosse verão, durante uma semana. No dia Santa, saem em procissão, num espetáculo impressionante em que até índios Pataxós podem ser vistos na multidão.








Clique sobre a foto para ampliar


sábado, 6 de agosto de 2011

ALEMÃOZINHO BÁSICO

Dói nos ouvidos quando apresentadores de tevê ou locutores de rádio falam "barilóxe".
Pôcha, não é preciso frequentar um curso para saber que em espanhol não há "és" nem "ós". 
Quando se trata de nomes próprios e palavras alemãs é diferente. Não dá para exigir que os jornalistas e radialistas saibam rudimentos desta que é uma das mais complicadas línguas em uso no mundo. Mas quem entende um pouco de alemão sente calafrios ao ouvir nomes próprios ou  substantivos pronunciados das formas mais exóticas.
Um dia desses um repórter de uma das mais potentes rádios de Porto Alegre disse "eisuein" numa matéria sobre o Eiswein (eis=gelo, wein=vinho),  um vinho alemão elaborado com uvas colhidas e congeladas. O correto seria "aisvain", mas ele aplicou as regras do inglês. Ficou incompreensível, em inglês ou alemão - em inglês seria  ice wine, "aiss uain".

Algumas normas básicas da lingua alemã podem ajudar os colegas:

1. O "V" soa como F, o "W" como V:  Volkswagen, Wolfgang, winter, wasser

2. O G tem som de guê. O mesmo exemplo acima, mais Gerdau, Geiger, Geisel.

3. EI se pronuncia AI:  Geisel, Einstein

4. EU vira ÓI: Padre Reus (Róis), Meuer (Móirer)

5. A letra jota é IOT. Todos os nomes começados com jota devem ser pronunciados como se fosse com I:  Johannpeter fica Iohanpeter , Johan Brahms é Iohan, Jung é Iung. 
Obs: frequentemente citado na mídia, o sobrenome do empresário Jorge Gerdau Johannpeter é de origem alemã, e não inglesa. Portanto, Iohanpeter, e não joanpiter (ver adiante o som do H)

6. CH é H: Bach, Dietrich, Rech, Richter. Ver também o item 10, sobre o H.

7. SCH é X: Schmidt, Schuster, Schneider, Schubert  

8. O IE espicha o I: Dienstmann, Dietrich, Kieling = Diinstmann, Diitrih, Kiiling  e o  AE espicha o E: Haeser (héezer)

9. ST no início das palavras vira X: Stein , Strassburger, Strauss, schmier (ximia)

10.  O H é agá, mesmo. Expira o ar com força: Haas, Hartmann, Hoffmeister

Pronto, editores, repórteres  e apresentadores. É só copiar e colar.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

WINTERTIME