quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O CAMINHO DO MEIO EM OBRAS

 
Obras na avenida Protásio Alves em novembro de 2013 

Até o início do século passado o Caminho do Meio era uma das três vias para chegar ao centro de Porto Alegre - as outras eram a Estrada do Mato Grosso,  pelo Partenon, e a Estrada de Gravataí, ao norte.  Na década de 1930 a estrada foi duplicada, pavimentada e ganhou o nome de Avenida Protásio Alves. É a mais extensa da cidade, com 12 quilômetros. Começa na rua Ramiro Barcellos, no bairro Bom Fim, e acaba no limite com Viamão, onde retoma o nome de Caminho do Meio.
Ao longo das décadas seguintes,  mais obras: foram colocados trilhos para os bondes Petrópolis, que chegaram até a esquina da avenida Carazinho (foto abaixo, de William Janssen).
 Para quem morava nos bairros cortados pela "Protásio", chegar ao centro da cidade era fácil e confortável.
Em 1970, o sistema de bondes e troleibus elétricos foi extinto, com um canetaço do prefeito nomeado Telmo Thompson Flores.  Para ele, a prioridade era para os automóveis e os ônibus movidos a diesel.  Os trilhos foram tapados com uma camada de asfalto para a circulação dos ônibus, numa solução improvisada chamada de "corredor",  que nunca funcionou satisfatoriamente.
Agora a avenida está novamente em obras. Os trilhos de ferro foram retirados  para a construção da pista dos BRT, os ônibus de circulação rápida.


                          NO TEMPO DOS BONDES

 

 
Até 1970,  bondes como este ligavam todos os bairros da cidade ao centro - Menino Deus (onde também circulavam troleibus, ônibus movidos a energia elétrica), Partenon, Glória, Teresópolis, Petrópolis, Auxiliadora, IAPI, Navegantes, São João. Na área central havia a linha Duque que ia pela rua da Praia até a Usina do Gasômetro e depois voltava pela Duque de Caxias, e outro que ia pela  avenida João Pessoa até a Venâncio Aires e depois voltava pela Osvaldo Aranha. Na década de 1960 Porto Alegre tinha a maior frota de bondes entre todas as cidades do mundo. Allen Morrison conta toda a história do transporte coletivo da capital gaúcha no site
 
 

SONS DA INFÂNCIA


Eles são poucos, mas ainda resistem. Afiadores de faca como o Carlos e o Heitor aparecem
de vez em quando nas ruas do bairro Petrópolis, em Porto Alegre, tocando seus apitos para chamar a atenção das donas de casa.





terça-feira, 19 de novembro de 2013

"TÁ DEMORANDO..."

Os idosos podem ser felizes. Aqueles que sempre se cuidaram, praticaram esportes, evitaram gorduras e bebidas alcoólicas. Aos 70 e tantos anos se sentem jovens. Alguns, endinheirados, casam com  jovens. Correm na beira da praia, têm vida sexual ativa, viajam, gozam a vida como se as décadas não tivessem passado. São pauta para reportagens de tevê e suplementos de saúde dos jornais.  
Mas estes são exceção. A grande maioria deles, depois que já não conseguem cumprir as tarefas domésticas e os familiares não podem ou não querem tê-los nas suas casas,
 acabam encontrando amparo nas geriatrias. Normal: seus maridos/esposas morreram, os filhos têm seus filhos e netos para cuidar, uma vida para viver.
Nas casas geriátricas quase todos têm problemas de saúde: mal conseguem caminhar, quando não estão em cadeiras de rodas, a visão e a audição são precárias, a memória falha cada vez mais - será que eu já almocei? O que foi mesmo que aconteceu no dia 15 de novembro? Qual dos meus filhos me ligou hoje - ou foi ontem?
E eles vão levando a vida, numa rotina que muda pouco, mesmo nas casas mais sofisticadas.  Dependem dos atendentes para quase tudo: higiene, locomoção, alimentação. Acordam cedo, tomam café, esperam o lanche, o almoço. Depois sesteiam, tomam o lanche, jantam e vão para a cama.
 As horas entre uma e outra refeição são passadas em frente à tevê ou em silêncio,  às vezes rompido por conversas que, invariavelmente, são memórias ou as novidades dos filhos e netos. As notícias da tevê e dos jornais já não interessam mais - eles não fazem parte deste mundo das falcatruas dos políticos, dos crimes hediondos, dos congestionamentos gigantes nos feriadões.
E no silêncio de seus quartos, enquanto o sono não vem, eles  lembram dos seus maridos ou esposas, dos filhos e netos que demoram tanto para visitá-los, do dia do casamento, das festas, das viagens, das desgraças. E anseiam pelo dia em que, enfim, se juntarão aos queridos já falecidos . Volta e meia eles insistem em aparecer em sonhos, perguntando: "porque demoras tanto a chegar ?"